L794 FJO: o Subaru que guarda uma história de Prodrive e agora de volta às classificativas

Crónica de Vasco Moura

Há marcas que marcam gerações, e a Subaru é uma delas. Ser uma marca icónica é algo que todas almejam, mas apenas algumas conseguem.

A icónica marca nipónica surgiu no WRC, na forma que nos lembramos com mais saudade, em 1990 quando, em conjunto com a Prodrive, se lançou nos palcos do WRC com um Subaru Legacy. Curiosamente, o Legacy não deixou um legado assim tão grande, especialmente comparado com o modelo seguinte que a marca nipónica utilizou a partir de 1993, o Subaru Impreza.

Em 1993 e ao longo das suas evoluções e iterações foi conquistando fãs e tornou-se um dos mais icónicos da história mundial dos ralis. Foi também nessa época que a equipa adotou a cor azul, quando a marca de tabaco 555 se tornou patrocinadora da equipa. A Subaru manteve esta cor mesmo depois do fim dessa parceria, devido à grande associação que já havia entre ambos.

O Impreza foi sendo evoluído, iterado e só deixou o mundial de ralis em 2008 quando a Subaru decidiu abandonar o WRC no final da temporada de 2008, e, na altura, era o quinto fabricante mais bem-sucedido de sempre, com quarenta e sete vitórias em ralis. A estes resultados juntavam-se ainda três títulos de fabricantes e dois títulos de pilotos.

Richard Burns, Juha Kankkunen, Tommi Makkinen, Carlos Sainz, Petter Solberg e, claro, Colin McRae são os grandes nomes associados à Subaru e ao modelo Impreza e que ajudaram a torná-lo modelos de culto entre adeptos de ralis.

Foi há vinte e três anos que tudo começou, no ano de 1993 quando a Prodrive e a Subaru substituíram o modelo Legacy pelo Impreza e que surge o Subaru Impreza sobre o qual iremos aprofundar hoje.

À primeira vista, pode parecer apenas mais um Subaru Impreza da primeira geração. Mas basta olhar com atenção para a matrícula para perceber que há muito mais história por detrás deste carro.

A matrícula L794 FJO é de um Subaru Impreza GC8 identificado nos registos históricos como um exemplar de Grupo N, estando associado à Prodrive nos primeiros anos do programa Impreza.

A documentação disponível online aponta-o como um possível carro utilizado pela estrutura britânica em reconhecimentos e formação/testes — uma utilização menos mediática do que a competição propriamente dita, mas absolutamente fundamental no desenvolvimento de um programa de ralis.

E é precisamente aí que reside parte do seu encanto.

Antes das vitórias e momentos de glória, longe dos holofotes, havia os reconhecimentos das classificativas, os testes de soluções e novas afinações, a preparação dos pilotos e da equipa para as duríssimas provas que componham o mundial de ralis na década de noventa. Quantas belas histórias não terá este Subaru para contar? Quantos momentos que marcaram a vida dos pilotos, mecânicos e engenheiros não se terão passado à volta desta relíquia da história dos ralis?

Hoje, vinte e três anos depois, este Subaru já há muito que deixou o universo da Prodrive e leva no seu registo a participação em diversas provas em solo português, tanto de carácter nacional como internacional.

Atualmente encontra-se na posse de José Pereira, diretor e presidente do Museu do Rali Fafe, e pode ser visitado precisamente no museu e não só… esta temporada, voltou a fazer aquilo que nasceu para fazer, andar depressa em classificativas de rali.

A presença no Castrol Portugal Rally Series dá-lhe uma segunda vida competitiva e permite que um automóvel com uma história tão particular seja visto não atrás de uma barreira de museu, mas no ambiente onde verdadeiramente ganha significado: numa classificativa, entre árvores, curvas e o som inconfundível de um boxer Subaru.

É uma espécie de viagem no tempo, na qual José Pereira tem participado na categoria FIA Históricos, e tem contribuído para relembrar aos milhares de adeptos a história dos ralis mundiais!

O passado encontra o presente e há também algo de simbólico no facto de este carro voltar a competir precisamente num campeonato que procura preservar e celebrar a cultura dos ralis.

O Portugal Rally Series coloca lado a lado diferentes gerações de máquinas e de pilotos, criando um espaço onde a história da modalidade continua viva e a ser celebrada em cada ronda, com o ADN de um rali puro aliado a uma grande festa!